ALQUEVA E A FALHA GEOLÓGICA

Caros colegas,
Desejava ter a vossa opinião sobre a falha na zona de construção da barragem de Alqueva.
É assim tão grave?
Que consequências pode ter?
O que se pode fazer?
O que podem os geólogos fazer?
Devem as populações afectadas ser alertadas?
Junto envio cópia de duas mensagens enviadas para o Fórum que estamos a promover como IFRAO.
Mila Simões de Abreu (Maio/2001)


Caros colegas,
Aviso: vou ser um pouco bruta - podem deitar já a mensagem para o lixo.

Não quero ofender ninguém mas... O que se passa? Isto não interessa a ninguém? Ok é assim estou a ficar muito preocupada ninguém (ok recebi uma mensagem directamente para mim) respondeu à minha sobre a questão da falha em Alqueva. Será que ninguém tem nada a dizer? Será que estamos no país do rei vai nú.... toda a gente parece saber mas ninguém abre a boca? Ou estamos todos acorrentados ao mundo dos BIGsBARs! Ou será que só nos preocupamos com as coisas depois quando já não há nada a fazer ...
Sen ofensa
Eu realmente esperava ver uma troca de mensagens pelo menos entre aqueles que acham que a coisa é tremenda e os outros que acham que não tem importância. Vamos parar cinco minutos e debater um pouco isto? Acho que o tempo em que o silêncio era de ouro já passou.
Mila Simões de Abreu (Maio/2001)


Caros Colegas,
Sem valorizar (o calibre da brutidade...) a polémica e a polemização lançada pela colega Mila Simões de Abreu, o meu silêncio em relação à primeira mensagem foi sinal de ignorância técnica. Isto é, não sei se há falha e qual o seu significado em termos de estabilidade de construção a curto e a longo prazo.

Em relação à questão da preservação das gravuras que possam existir (do qual também poucas informações tenho), creio que poderão adicionar-se a uma série de outras:

— vale a pena , para efeitos de regadio, fazer um empreendimento que tanto modifica os sistemas naturais ? e aqui refitro-me aos ecosistemas (sensu lato) locais e às teleimplicações (por exemplo, com a redução tão drástica do caudal sólido, a zona vestibular do Guadiana e marítima adjacente vão modificar o seu funcionamento sedimentar de modo vincado).

_ não seria possível, como defendem geólogos, hidrogeólogos, arquitectos paisagistas, ordenadores do território a tantos outros níveis e especialidades, fazer um conjunto de pequenas barragens (incluindo uma menor no Guadiana ?) e furos de captação ?

_ para o lazer (os tais "espelhos de água" e praias), é necessário tamalha albufeira ? não esquecer que seria apenas um complemento para chamariz dos turistas e nunca uma valência de primeira linha.

— contabilizando os custos directos, indirectos e diferidos no tempo, mais os danos ao património naturial e de memória humana (pré e sin-histórica), vale a pena (e outras !) esta megalomania...

Provavelmente é tarde para esta discussão ser eficaz para o projecto Alqueva (tão mitificado ao longo das décadas de seca de água e de ideias...), mas ao menos ficamos a pensar nós, a injectar dúvidas na sociedade e, eventualmente, a contribuir para moldar o futuro e os seus valores.

Cumprimentos,
Jorge Dinis (Maio/2001)


Eu sou uma simples aluna de Mestrado da Universidade de Aveiro, licenciada em geologia na Universidade de Coimbra e numa das cadeiras de Mestrado falou-se da falha do Alqueva, em que o meu professor teve a barbaridade de concordar com a construção da barragem, pois trata-se de um Engenheiro de Minas. Quando lhe perguntei se sabia quantos metros pensavam que tinha a caixa de falha no início do projecto, ele disse não saber, ao que eu lhe respondi que no início pensavam que tinha 10 m e que bastava enche-la com betão e escórias que ficava tudo bem, mas que agora tinham chegado à conclusão de que tinha 100 m. O meu professor não ficou interessado e disse que a água era mais importante, foi quando eu quase lhe apertei o pescoço e lhe perguntei se ele ficava com a consciência tranquila com a morte das pessoas que poderia vir a acontecer caso ocorresse um sismo. Os meus colegas mandaram-me calar, porque ele é que era o professor e eu a aluna.
Mas não me convenceu e ainda bem que descobri que não sou a única.
Susana Conceição (Maio/2001)


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